ENTRE O CAIÇARA E O DESERTO: O AMOR QUE UNIU BERTIOGA AO MARROCOS

VÂNIA PEIXES BORACÉIA E ZAKARIA RAGHIB SELAM UNIÃO CIVIL EM UMA CERIMÔNIA MARCADA POR CULTURA, RESPEITO E EMOÇÃO

🌍❤️ DO LITORAL PAULISTA AO NORTE DA ÁFRICA: UM AMOR QUE ATRAVESSOU FRONTEIRAS
Em frente ao cartório de Bertioga, Vânia “Peixes Boracéia”, caiçara bertioguense de raízes tradicionais, e o marroquino Zakaria Raghib eternizaram neste sábado um dos momentos mais marcantes de suas vidas. O casamento civil do casal chamou atenção pela mistura de culturas, tradições e pela emocionante história de amor que começou há dois anos, através das redes sociais, e hoje ganhou oficialmente novos capítulos. Natural da capital do Marrocos, Zakaria escolheu Bertioga para construir sua nova trajetória ao lado da mulher por quem atravessou oceanos. Já Vânia, apaixonada pela cultura marroquina desde a adolescência, encontrou no companheiro não apenas um grande amor, mas também uma conexão baseada em respeito, fé e admiração mútua. Entre sotaques, costumes diferentes e muitos sonhos compartilhados, o casal mostrou que o amor verdadeiro não conhece distância, idioma ou fronteiras. Um encontro entre o peixe caiçara e os ventos do deserto, transformado agora em união oficial diante da lei — e do coração. 💍✨

O amor atravessou oceanos, rompeu barreiras culturais e encontrou abrigo em Bertioga. Neste sábado, 9 de maio, a cidade testemunhou uma união incomum e carregada de simbolismo: o casamento civil da caiçara bertioguense Vânia, popularmente conhecida como “Vânia Peixes Boracéia”, com o marroquino Zakaria Raghib, natural da capital do Marrocos.

A cerimônia, realizada às 11h30 no cartório de Bertioga, chamou a atenção não apenas pela emoção dos noivos, mas também pelo ineditismo. Segundo a própria Vânia, funcionárias do cartório afirmaram nunca ter realizado um casamento envolvendo um árabe na cidade. O momento acabou se tornando especial não apenas para os noivos, mas também para quem acompanhou a celebração.

Sem dominar totalmente o português, Zakaria contou com a ajuda do amigo Said, proprietário do comércio “Egito”, no Centro de Bertioga, que atuou como testemunha e tradutor durante a cerimônia. Do lado da noiva, a testemunha foi sua sobrinha Suellen, corretora de imóveis na cidade.

A história do casal parece roteiro de cinema contemporâneo, daqueles em que a tecnologia aproxima pessoas separadas por continentes. Vânia conheceu Zakaria há dois anos, através do TikTok. O que começou como uma amizade virtual, construída sobre respeito e afinidade, transformou-se em algo maior.

📸✨ ENCONTRO DE CULTURAS, AFETO E NOVOS COMEÇOS
Da esquerda para a direita, Suellen, Zakaria Raghib, Vânia “Peixes Boracéia” e Said celebram um momento que ficará marcado na memória da família e também na história afetiva de Bertioga. À frente do grupo, a pequena Júlia roubou a cena com sua doçura e espontaneidade, trazendo ainda mais leveza ao registro do casamento civil realizado neste sábado. Mais do que testemunhas de uma união, cada um teve papel especial nesse capítulo: Suellen, sobrinha de Vânia, acompanhou a tia como testemunha da cerimônia; Said, amigo do casal e proprietário do comércio “Egito”, no Centro de Bertioga, foi peça fundamental como tradutor de Zakaria durante o casamento.
Vindos de culturas diferentes, mas unidos pelo respeito, carinho e acolhimento, os noivos protagonizaram uma celebração marcada pela simplicidade, emoção e pela beleza do encontro entre o universo caiçara de Bertioga e as tradições do Marrocos. 💍🌍❤️

“Ele dizia que viria para o Brasil, mas eu pensava que era brincadeira”, relembra Vânia, entre risos. Até que, em 1º de fevereiro deste ano, Zakaria desembarcou em Bertioga. A surpresa foi real. “Só acreditei quando vi ele descendo do ônibus, na Padaria do Manolo.”

Pouco mais de 20 dias depois, o namoro começou. E agora, poucos meses mais tarde, veio o casamento.

Motorista de ônibus há cerca de 20 anos no Marrocos, Zakaria ainda enfrenta os desafios naturais da adaptação em outro país. Enquanto regulariza documentos e busca reconhecimento profissional para voltar à sua área de atuação, trabalha atualmente na construção civil.

Apesar das dificuldades, ele encontrou acolhimento em Bertioga. Segundo Vânia, o marido se encantou pela tranquilidade da cidade, pela receptividade das pessoas e pela cultura caiçara. “Ele gostou muito daqui. Diz que o povo brasileiro é de pessoas boas”, afirma.

A relação também chama atenção pelo respeito mútuo às tradições e à fé de cada um. Muçulmano, Zakaria mantém hábitos ligados à religião islâmica, como não consumir carne de porco, mas abraçou com entusiasmo a culinária caiçara. “Ele gostou muito do nosso peixe. Afinal, casou com uma caiçara”, brinca Vânia.

Apaixonada pela cultura marroquina desde a adolescência, mesmo sem nunca ter visitado o país africano, Vânia revela que sempre estudou os costumes e a religião islâmica. Segundo ela, a convivência com Zakaria apenas fortaleceu essa admiração.

“Eu acredito que Deus precisa estar na frente da união. Se for para eu me converter à religião dele, não tenho problema nenhum”, declarou.

Entre diferenças culturais, sotaques e tradições, o casal demonstra que a base da relação está justamente no respeito. Enquanto Zakaria aprende português e se adapta ao cotidiano brasileiro, Vânia mergulha ainda mais nos costumes do marido. E, em meio a tudo isso, sobra espaço para o bom humor. “Ele só precisa aprender a gostar do Corinthians”, diz ela, arrancando risos.

Filha legítima das raízes caiçaras de Bertioga, Vânia carrega a história da cidade no próprio sangue. Nascida e criada no município, ela conta que sua família faz parte das antigas gerações da região. O pai nasceu em Itatinga e a mãe na Ilha Monte Cabrão, ambos descendentes de famílias tradicionais ligadas à história local.

“Minha avó chegou aqui entre 1910 e 1920. Acho que fomos uns dos primeiros habitantes de Bertioga”, comenta, em tom descontraído.

Em tempos de relações rápidas e superficiais, a união entre Vânia e Zakaria surge como um retrato contemporâneo de amor, coragem e conexão entre mundos diferentes. Um casamento que uniu o Atlântico, aproximou culturas e escreveu um capítulo singular na história afetiva de Bertioga.