VILARES ASSUME PROTAGONISMO, ADMITE REELEIÇÃO E EXPÕE VIRADA FISCAL EM BERTIOGA
PREFEITO REVELA BASTIDORES DA GESTÃO, DESTACA APOIO DE DEPUTADOS E DIZ TER HERDADO PREFEITURA FRAGILIZADA — HOJE, COM CAPAG “A”, CIDADE RETOMA CAPACIDADE DE INVESTIMENTO

Nos bastidores da política de Bertioga, a conversa mais recente do prefeito Marcelo Vilares com a reportagem do Jornal Edição Extra, ontem, 29 de abril, deixa claro: há um governo em fase de consolidação — e um projeto político que já mira o próximo ciclo eleitoral.
Sem rodeios, Vilares reconhece o que, no meio político, já é tratado como evidente.
“É um processo natural. Vamos para a reeleição em 2028”, afirmou.
A declaração, direta e sem ambiguidades, não surge isolada. Ela vem sustentada por um discurso que combina responsabilidade fiscal, entregas administrativas e articulação política — três pilares que, historicamente, definem a sobrevivência de qualquer gestão municipal.
HERANÇA FISCAL E VIRADA DE CHAVE
Ao revisitar o início do mandato, o prefeito traça um diagnóstico que ajuda a entender o tom adotado pela administração.
Segundo ele, a prefeitura foi recebida com classificação “C” na Capacidade de Pagamento (CAPAG), indicador do Tesouro Nacional que mede a saúde fiscal dos municípios. Um cenário que, na prática, limitava investimentos e travava o acesso a crédito.
Quase um ano e meio depois, o discurso já é outro.
“Hoje Bertioga está com CAPAG ‘A’. Isso significa resgatar a credibilidade e a capacidade de investimento”, destacou.
A mudança de classificação, mais do que um dado técnico, passa a ser tratada como símbolo político da gestão: a narrativa de que a casa foi reorganizada para permitir novos avanços.
Nos bastidores, esse tipo de indicador costuma ter peso decisivo — tanto na relação com o governo estadual quanto na captação de recursos federais.
SAÚDE COMO VITRINE E DESAFIO
Se a área fiscal sustenta o discurso técnico, é na saúde que o governo busca visibilidade direta junto à população.
Vilares destaca a estruturação de serviços de média e alta complexidade, incluindo a manutenção de leitos de UTI, centro cirúrgico e ampliação da capacidade hospitalar.
“Hoje conseguimos avançar em cirurgias eletivas, especialmente ortopédicas, que antes dependiam de regulação fora do município”, pontuou.
A implantação da telemedicina — com unidades no Chácaras e em Boraceia — também entra como aposta estratégica, especialmente pela promessa de redução de filas e agilidade nos atendimentos.
Outro ponto sensível, reconhecido pelo próprio prefeito, é a distância entre o centro e a região norte da cidade.
Por isso, a ampliação da rede de saúde em bairros como Boraceia e a previsão de uma unidade em Guaratuba aparecem como resposta direta a uma demanda histórica.
EDUCAÇÃO COMO BANDEIRA POLÍTICA
Na educação, o discurso ganha um tom mais identitário.
Vilares trata a área como uma das principais vitrines da gestão, destacando indicadores como Ideb, Saresp e programas federais de avaliação.
“O reconhecimento mostra o trabalho dos nossos educadores. A educação é o caminho para o futuro da cidade”, afirmou.
Entre as medidas anunciadas estão novas estruturas voltadas à alfabetização, reforço escolar e ampliação da Educação de Jovens e Adultos (EJA), especialmente na região norte.
Nos bastidores, a valorização dos profissionais da área — com planos de carreira e reconhecimento institucional — também aparece como estratégia de consolidação política.
ARTICULAÇÃO POLÍTICA E RECADO A BRASÍLIA
Talvez o trecho mais revelador da conversa esteja na forma como o prefeito aborda sua relação com parlamentares.
Em ano de eleições gerais, Vilares sinaliza que pretende adotar uma postura pública de reconhecimento — e, ao mesmo tempo, de cobrança indireta.
“Vamos mostrar quem ajudou Bertioga. Está no extrato da prefeitura. Quem destinou recursos, independente de posição política, será reconhecido”, afirmou.
O recado é claro: apoio político, para a atual gestão, será medido por entregas concretas.
Ao afirmar que não fará distinção ideológica — “seja de direita, esquerda ou centro” — o prefeito reforça um posicionamento pragmático, comum a gestores municipais que dependem de articulação ampla para viabilizar recursos.
UM PROJETO EM CONSTRUÇÃO
Com 26 anos de vida pública, dois mandatos como vereador, passagens pela presidência da Câmara e dois períodos como vice-prefeito, Marcelo Vilares chega ao atual momento com um ativo importante: experiência acumulada e conhecimento da máquina pública.
Agora, no comando do Executivo, transforma essa trajetória em um projeto mais amplo — que combina gestão, narrativa e ambição política.
Ao admitir a reeleição como caminho natural, reorganizar as finanças e reforçar alianças, o prefeito sinaliza que não governa apenas para o presente.
Governa, sobretudo, de olho no futuro.
E, em uma cidade jovem como Bertioga — que ainda consolida suas bases administrativas e políticas — isso pode fazer toda a diferença nos próximos capítulos.