PEDAL, SOL E CONEXÃO: CICLISTAS DA BAIXADA SANTISTA TRANSFORMAM DOMINGO EM UM ENCONTRO DE ENERGIA E SUPERAÇÃO EM BERTIOGA
GRUPOS DE DIFERENTES CIDADES SE REÚNEM NO PARQUE DOS TUPINIQUINS, COMPARTILHAM HISTÓRIAS E MOSTRAM QUE O CICLISMO VAI MUITO ALÉM DO ESPORTE

Sob um sol intenso e típico de verão no litoral, o domingo, 12, foi de movimento, resistência e conexão no Parque dos Tupiniquins. Em meio ao calor e à paisagem convidativa, um grupo de ciclistas chamou a atenção da reportagem do Jornal Edição Extra ao fazer uma pausa estratégica para descanso e hidratação — o famoso “pit stop” — antes de seguir jornada.
Vindos de diferentes cidades da Baixada Santista, os ciclistas carregavam mais do que quilômetros nas pernas: traziam histórias, propósitos e uma paixão em comum pelas duas rodas.
Entre eles, a jovem Rafaela Reis, de São Vicente, contou que sua relação com a bicicleta começou ainda na infância. “Sempre fez parte da minha vida, primeiro como meio de transporte e hoje como esporte e lazer”, relatou a ciclista de 28 anos, demonstrando que o pedal pode ser, ao mesmo tempo, hábito e estilo de vida.
Mas foi o nome de um dos grupos que despertou curiosidade e arrancou sorrisos: o “80+”. Apesar da juventude dos integrantes, o número não tem relação com idade, mas sim com desafio. Quem explica é Elias dos Santos, também de São Vicente: “A proposta é que os pedais tenham no mínimo 80 quilômetros. Hoje, por exemplo, devemos chegar a cerca de 110 km”, destacou.
O grupo faz parte de um coletivo maior, o FXAR, que organiza diferentes modalidades de pedal, incluindo treinos com tempo ativo e desafios mais intensos — como o curioso “carne moída”, expressão usada entre ciclistas para percursos mais exigentes. Neste domingo, três grupos se encontraram: o FXAR, o Baixaria — referência direta à Baixada Santista — e o As Saíras, coletivo voltado à inclusão e ao fortalecimento feminino.
Representando o grupo As Saíras, Nai’a Okelani, de Santos, destacou o papel social do ciclismo. “A gente pedala com foco na independência e autonomia de mulheres, pessoas trans e não binárias. Criamos uma rede de apoio enquanto percorremos as cidades”, explicou. Para ela, o esporte também é ferramenta de transformação e pertencimento.
O trajeto do dia não foi para iniciantes. Segundo os ciclistas, o percurso começou em Santos, passou por Cubatão, seguiu pela Rodovia Rio-Santos (BR-101) até Bertioga. Após a parada no parque, o plano era atravessar de balsa até Guarujá e retornar ao ponto de origem — um circuito que exige preparo físico e espírito coletivo.
Entre uma pausa e outra, o olhar atento de Gustavo Abreu, de 33 anos, registrava cada momento. Integrante recente do grupo Baixaria, ele destacou a união proporcionada pelo pedal. “Saíram grupos diferentes de Santos, por caminhos distintos, e nos encontramos aqui. Agora seguimos juntos — e ainda temos mais 50 quilômetros pela frente”, contou.
Mais do que um simples passeio, o encontro no Parque dos Tupiniquins revelou a essência do ciclismo na região: uma prática que une saúde, amizade, inclusão e superação. Em cada giro de pedal, esses ciclistas mostram que o verdadeiro destino não está apenas na chegada, mas em tudo o que se vive ao longo do caminho.