Dia Mundial contra a Raiva: Brasil avança no controle da doença, mas circulação do vírus em animais silvestres mantém alerta

Brasil registrou 37 casos de raiva humana desde 2016, e São Paulo contabilizou 90 casos em animais em 2026; vacinação e vigilância seguem essenciais para prevenir a doença

A redução da transmissão da raiva por cães no Brasil representa um avanço importante para a saúde pública. No entanto, a circulação do vírus em animais silvestres, especialmente morcegos, mantém o alerta para a prevenção da doença, que pode atingir tanto os animais quanto os seres humanos. O tema ganha destaque neste 28 de setembro, Dia Mundial contra a Raiva, data dedicada à conscientização sobre a importância da vacinação, da vigilância epidemiológica e do controle da doença.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 37 casos de raiva humana entre 2016 e 2026. Desse total, 22 foram associados à transmissão por morcegos, reforçando a importância da atenção aos ciclos silvestres da doença. O país também não registra, há mais de uma década, casos humanos relacionados à variante do vírus que circula entre cães, resultado dos avanços nas ações de vacinação e controle da raiva canina.

Apesar desse cenário, a doença continua circulando entre animais. Até junho de 2026, foram registrados seis casos de raiva em cães no país, todos provocados por variantes associadas a animais silvestres. Entre 2015 e 2026, foram contabilizados 270 casos em cães e gatos, evidenciando que a interrupção da transmissão urbana não elimina o risco de exposição ao vírus.

No estado de São Paulo, já foram registrados 90 casos de raiva em animais em 2026, conforme dados divulgados pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP). O número reforça a importância da manutenção das medidas preventivas, da vacinação e da vigilância epidemiológica.

Para o médico-veterinário Francis Flosi, diretor-geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, a prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar a disseminação da raiva. “A vacinação é uma medida fundamental para proteger cães e gatos e, consequentemente, as pessoas. Mesmo com os avanços no controle da raiva transmitida por cães, a circulação do vírus em animais silvestres exige atenção permanente, tanto dos responsáveis pelos animais quanto dos profissionais de saúde”, destaca.

A raiva é uma doença viral que afeta o sistema nervoso central e apresenta alta letalidade após o início dos sintomas. A transmissão ocorre principalmente pela saliva de animais infectados, por meio de mordidas, arranhões ou contato com mucosas e feridas. Cães, gatos, morcegos e outros mamíferos podem estar envolvidos na transmissão, dependendo da variante viral e do ciclo epidemiológico.

Entre os sinais clínicos que podem surgir nos animais estão mudanças de comportamento, agressividade incomum, salivação excessiva, dificuldade para engolir, alterações na coordenação motora e paralisia. Como os sintomas podem variar, a suspeita de raiva exige avaliação imediata por profissionais e comunicação aos serviços de vigilância. Não se deve tentar manipular animais com sinais suspeitos.

Em caso de mordida, arranhão ou contato suspeito com um animal, a orientação é lavar imediatamente o local com água corrente e sabão e procurar atendimento médico para avaliação da necessidade de profilaxia pós-exposição. Se um animal doméstico tiver contato com um morcego ou outro animal silvestre, é importante buscar orientação veterinária e dos serviços de vigilância, evitando o contato direto.

A vacinação anual de cães e gatos, conforme as orientações dos serviços de saúde e de medicina veterinária, é uma das principais estratégias de prevenção. Também é recomendado evitar o contato com animais silvestres, não tocar em morcegos encontrados no chão ou em situações incomuns e comunicar às autoridades sanitárias a presença de animais com comportamento suspeito.

A raiva também evidencia a importância do conceito de Saúde Única, que reconhece a relação entre a saúde humana, animal e ambiental. Nesse contexto, o médico-veterinário tem papel essencial na prevenção, no diagnóstico, na vigilância epidemiológica e na orientação da população, contribuindo para ações integradas de saúde pública.

“Manter a vacinação em dia, reconhecer situações de risco e buscar atendimento diante de uma possível exposição são atitudes que ajudam a proteger toda a comunidade. O controle da raiva depende de um trabalho contínuo e integrado entre profissionais de saúde, responsáveis pelos animais e poder público”, ressalta Flosi.

Sobre a Faculdade Qualittas

Há 24 anos, a Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas atua na formação e no aperfeiçoamento de profissionais da área, oferecendo cursos de pós-graduação e capacitação em diferentes especialidades da Medicina Veterinária. Com atuação em diferentes regiões do Brasil, a instituição contribui para o desenvolvimento técnico e científico da profissão e para a promoção da saúde animal e pública. Saiba mais www.qualittas.com.br