MANOEL DA PÉ QUENTE: 32 ANOS CALÇANDO BERTIOGA E FAZENDO HISTÓRIA
AOS 80 ANOS, MANOEL RODRIGUES SANTANA CONTINUA À FRENTE DA PRIMEIRA LOJA DE CALÇADOS DA CIDADE, AGORA AO LADO DA FILHA MARILIS, PRESERVANDO UMA HISTÓRIA QUE SE CONFUNDE COM A DO COMÉRCIO BERTIOGUENSE

Há histórias que não cabem em uma vitrine. Cabem na memória de uma cidade inteira. E a de Manoel Rodrigues Santana é uma delas.
Aos 80 anos, o mineiro que ficou conhecido como Manoel da Pé Quente continua fazendo aquilo que aprendeu a amar: trabalhar, conversar com os clientes e acompanhar de perto a rotina da loja que ajudou a transformar em referência no comércio de Bertioga.
Em conversa realizada nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, Manoel abriu novamente o baú das lembranças e contou um pouco mais dessa trajetória. São 32 anos em Bertioga, décadas acompanhando de perto as mudanças de uma cidade que cresceu — e que também cresceu junto com ele.
“Estou há 32 anos em Bertioga”, conta Manoel.
A história da Pé Quente Calçados começou em outro endereço, justamente no prédio ao lado da atual loja. Mas o espaço ficou pequeno para o sonho do comerciante.
“Nossa loja era nesse prédio ao lado. Depois passamos para esta loja, onde estamos há 27 anos, porque a vitrine que temos não cabia naquele espaço. O local era estreito”, relembra.
E assim, há quase três décadas, a Pé Quente está no endereço atual, mantendo aberta uma porta que já recebeu gerações de consumidores.
A PRIMEIRA DO RAMO
Manoel faz questão de destacar um detalhe que ajuda a dimensionar a importância de sua história: a Pé Quente foi a primeira loja de calçados de Bertioga.
“Somos a primeira loja de calçados em Bertioga”, afirma, com o orgulho de quem sabe que não está falando apenas de um comércio, mas de um capítulo da história da cidade.
Quando chegou a Bertioga, há 32 anos, encontrou um município muito diferente do atual. O comércio ainda dava seus primeiros passos, as ruas e bairros começavam a ganhar novos moradores e a cidade buscava construir sua própria identidade.
Foi nesse cenário que Manoel decidiu apostar no futuro.
E deu certo.
A pequena loja se tornou conhecida, os clientes chegaram, muitos permaneceram e a Pé Quente atravessou os anos acompanhando as transformações de Bertioga.
UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU EM FAMÍLIA
No início, Manoel não estava sozinho.
“Começo trabalhava eu, meu filho Marcelo e minha filha Marilis”, recorda.
Era uma verdadeira operação familiar. Pai, filho e filha dividindo tarefas, enfrentando os desafios do comércio e construindo, dia após dia, uma empresa que se tornaria conhecida pelos bertioguenses.
O tempo passou, os filhos cresceram e a vida mudou. Mas a essência permaneceu.
Hoje, Marilis continua à frente da loja, dando sequência ao trabalho iniciado pelo pai.
É a continuidade de uma história que atravessou gerações e que mostra que, no comércio, confiança não se constrói de um dia para o outro. É resultado de anos de presença, trabalho e relacionamento com a comunidade.
MUITO MAIS QUE SAPATOS
Quem conhece Manoel sabe que a Pé Quente nunca foi apenas um lugar para comprar calçados.
A loja se tornou ponto de encontro, espaço de conversa e, principalmente, parte da vida de muita gente.
Clientes que chegaram jovens voltaram anos depois com os filhos. Famílias cresceram, Bertioga cresceu e Manoel continuou ali, acompanhando tudo de perto.
É justamente aí que está a força de uma história como essa.
Empresas podem vender produtos. Mas são as relações que fazem algumas delas permanecerem na memória.
A Pé Quente vende sapatos, mas também acumulou histórias.
E Manoel, com seu jeito simples e acolhedor, acabou se tornando uma dessas figuras que ajudam a dar rosto ao comércio tradicional de Bertioga.
O TEMPO PASSA. A HISTÓRIA FICA.
Aos 80 anos, Manoel poderia simplesmente olhar para trás e contabilizar décadas de trabalho.
Mas sua história parece ir além dos números.
São 32 anos em Bertioga. São 27 anos no atual endereço. É uma loja pioneira. É uma família que construiu sua vida atrás do balcão. São clientes que se transformaram em amigos e uma cidade que mudou diante de seus olhos.
Hoje, ao lado da filha Marilis, Manoel continua ligado à Pé Quente — e, de certa forma, continua calçando os passos de Bertioga.
Porque algumas lojas fazem parte da paisagem de uma cidade.
Outras fazem parte da história.
A Pé Quente é dessas.
E Manoel Rodrigues Santana, o nosso Manoel da Pé Quente, é uma dessas pessoas que chegaram quando Bertioga ainda estava escrevendo seus primeiros capítulos e decidiram permanecer para ajudar a contar a história.
Uma história que começou com um par de sapatos, cresceu com uma família e, depois de 32 anos, continua caminhando firme pelas ruas de Bertioga.