RH É O PULMÃO E OS RINS DA EMPRESA​

Por Sinomar Nascimento

Poucas pessoas se dão conta, mas o setor de Recursos Humanos é, definitivamente, um dos órgãos vitais mais importantes dentro de uma empresa. Se o cérebro pensa, o coração decide e os braços executam, o RH atua como os pulmões e os rins da organização: ele permite que a empresa respire com saúde e filtra o que pode comprometer seu equilíbrio interno.​

É considerado como Pulmões porque é o RH quem oxigena a cultura organizacional, trazendo novos talentos, ideias, energias e comportamentos que alimentam o cotidiano da empresa. É ele quem inspira (e expira) valores, competências e interações humanas. Sem esse fluxo constante de ar limpo, qualquer organização começa a ofegar, seja na comunicação, na inovação ou no engajamento de sua equipe.​

É no setor de Recrutamento e Seleção que esse processo de oxigenação começa: ali, são analisados perfis, conduzidas entrevistas e realizados testes psicológicos, que ajudam a entender não apenas o potencial técnico, mas também o alinhamento emocional e comportamental de quem chega à empresa. Essa triagem é essencial para garantir que os “novos ares” tragam renovação, e não turbulência.​

Nas empresas com diversos segmentos de atuação, como varejistas que comercializam produtos esportivos, eletrônicos, perfumes, cama, mesa e banho, roupas e calçados, cabe ao RH a missão estratégica de identificar o perfil comportamental ideal para cada departamento. Durante a entrevista, é essencial compreender não só as competências técnicas do candidato, mas também suas afinidades, estilo de comunicação, ritmo de trabalho e perfil de relacionamento com o cliente, para que o colaborador seja alocado sob o gestor certo, no departamento certo. Uma contratação bem direcionada aumenta as chances de sucesso individual e coletivo, reduzindo o turnover e elevando a performance da equipe.​

Mais do que atrair, o RH também precisa proteger a cultura organizacional. É ele quem atua na prevenção de práticas como o nepotismo e a formação de “panelinhas” internas, dinâmicas que podem parecer inofensivas, mas que, com o tempo, bloqueiam o crescimento saudável da empresa, travam setores e criam ambientes de desconfiança e desequilíbrio. Quando o RH cumpre seu papel com ética e firmeza, ele mantém a empresa respirando com liberdade e funcionando de forma colaborativa.

​Ao mesmo tempo, o RH exerce o papel dos rins: filtrando impurezas emocionais e comportamentais, identificando conflitos tóxicos, desalinhamentos silenciosos e tensões que, se ignoradas, podem se tornar doenças corporativas. É o RH quem remove o que atrapalha, purifica relações e ajusta processos para manter a saúde organizacional em dia, muitas vezes sem fazer alarde, mas com impacto profundo.

​No coração desse funcionamento está também o Departamento Pessoal (DP), responsável por processar a folha de pagamento, registrar admissões e demissões, controlar férias e garantir o cumprimento das obrigações legais por meio de ferramentas como o eSocial. Integrado a ele, o setor de Benefícios cuida da concessão e gestão de vale-transporte, alimentação, plano de saúde, convênios e incentivos corporativos, que impactam diretamente na qualidade de vida e na motivação dos colaboradores. É nesse núcleo administrativo que o “sangue” da empresa circula com segurança, reconhecimento e justiça, permitindo que o colaborador se sinta respeitado, valorizado e com senso de pertencimento.​

Acima de tudo isso, ou integrando tudo isso, está o papel do gestor de pessoas: a figura que atua como maestro dentro da empresa. Ele é como um sistema nervoso sensível: percebe antes que o corpo adoeça, orientando ações para seus departamentos agirem.​

Hoje, o RH não é apenas um setor de apoio, é um departamento estratégico, que influencia diretamente os resultados da empresa. Utiliza ferramentas modernas como as avaliações 180° e 360°, que ampliam a percepção sobre o desempenho e a postura dos colaboradores. Também faz o mapeamento de cargos versus competências, avaliações salariais, planos de sucessão e pesquisas de clima organizacional, fundamentais para tomar decisões com base em dados reais e construir um ambiente mais saudável, produtivo e alinhado com os objetivos do negócio.​

Em tempos em que saúde mental, clima organizacional e liderança empática se tornaram diferenciais competitivos, o RH deixou de ser um departamento administrativo para se tornar órgão vital. Uma empresa até pode funcionar sem ele por um tempo, mas cedo ou tarde, surgem os sinais de falência interna: baixa motivação, alta rotatividade, esgotamento emocional e perda de propósito coletivo.

​Investir em RH é investir em respiração e purificação constantes. É garantir que a empresa tenha fôlego para inovar, mas também estrutura para se manter limpa, leve e equilibrada por dentro, porque nenhuma organização cresce de verdade quando está intoxicada ou sufocada no seu próprio ambiente.​

Sinomar Nascimento é colunista voluntário do Jornal Edição Extra.