GORETE SE LANÇA COMO PRÉ-CANDIDATA À PREFEITURA DE BERTIOGA
COM HISTÓRIA DE LUTA, COSTUREIRA NORDESTINA QUER CHEGAR AO EXECUTIVO PARA MUDAR A REALIDADE DAS PERIFERIAS

BERTIOGA — A eleição municipal de 2028 ainda parece distante, mas o nome de Maria Gorete Ferreira de Barros, a Gorete, já circula com força nos bairros de Bertioga. Nordestina, mãe solo de seis filhos, costureira e moradora do Indaiá há quase 30 anos, ela lançou sua pré-candidatura à prefeitura com um discurso firme: quer governar para quem historicamente foi deixado à margem.
Aos 60 anos, Gorete tem uma trajetória marcada por trabalho duro, militância social e comprometimento com a comunidade. Natural de Serrita e criada em Cabrobó, às margens do rio São Francisco (PE), chegou a São Paulo em 1990. Viveu por um tempo em Mogi das Cruzes, onde trabalhou em uma empresa ligada à Odebrecht. Foi nesse período que conheceu Bertioga, se encantou pela cidade e decidiu ficar. Em 1996, fixou residência no Jardim Indaiá, onde mora até hoje.
“Conheci Bertioga trabalhando na Riviera. Me encantei, mas também vi o quanto o povo sofre. Lutei muito pra criar meus filhos com dignidade, costurando à noite, nos fins de semana e feriados. Nunca deixei de lutar pelos trabalhadores”, afirma.

TRAJETÓRIA DE RESISTÊNCIA E COMPROMISSO
Desde a juventude no sertão, Gorete esteve envolvida em lutas sociais. Em Bertioga, ao se deparar com a realidade das comunidades periféricas, reacendeu sua atuação como ativista. “Conheço o sofrimento de quem vive em área irregular, sem infraestrutura, sendo tratado como criminoso. É por isso que quero chegar ao Executivo: pra mudar essa lógica”, explica.
Em 2020, foi candidata a vereadora pelo Republicanos — partido ao qual se filiou estrategicamente, mas do qual já se desligou. Atualmente, está em processo de filiação a um novo partido de esquerda. “Não é o PT, mas é um partido que representa a luta, como eu”, diz.

“QUERO FAZER O PODER PÚBLICO CHEGAR A QUEM PRECISA”
Gorete critica a desigualdade no acesso aos serviços públicos e a falta de investimento nas periferias. “Tem gente esperando por moradia há mais de 20 anos. Jovens nascidos aqui estão indo embora por falta de oportunidade. Quem consegue emprego no serviço público muitas vezes precisa bajular político para manter a vaga. Isso não é democracia”, denuncia.
Ela também chama atenção para o crescimento da violência contra mulheres e adolescentes nas comunidades e para o descaso com a saúde pública. “Faltam ginecologistas, faltam políticas de prevenção. As meninas estão engravidando cedo e não têm apoio. É uma situação grave, e ninguém faz nada.”
“A POLÍTICA ESTÁ NO MEU SANGUE”
Gorete vem de uma família com forte atuação política. “Sou Barros por parte de pai, e Brandão e Ferreira por parte de mãe. Tenho parentes na política em cidades como Orocó, Cabrobó, Santa Maria da Boa Vista (PE) e Corguinho (MS). Sou parente do ex-governador Miguel Arraes, que também foi deputado e prefeito do Recife. O atual prefeito do Recife, João Campos, bisneto de Arraes, também é da nossa linhagem”, conta, com orgulho.
Para ela, essa herança reforça seu compromisso com a vida pública. “A política transforma vidas quando é feita com verdade. Em 29 anos de Bertioga, conheço essa cidade inteira — do Caiubura à Boracéia. E o povo me conhece também.”
“SE EU CHEGAR LÁ, O POVO É QUE VAI GOVERNAR”
Entre suas propostas, Gorete defende a valorização das comunidades que mais precisam. “O poder público tem que funcionar como uma família: cuidar de todos, especialmente dos mais vulneráveis. Quero ônibus que entrem nos bairros periféricos, mulher podendo andar sem medo, jovem com oportunidade real, sem precisar de favor político.”
Avó de dez netos, ela afirma que sonha com uma cidade onde nenhuma criança precise abandonar os estudos por falta de apoio. “Criei meus filhos com dignidade. Todos são formados, têm profissão. É isso que quero garantir a todas as famílias. Não busco status. Quero justiça, dignidade e respeito para o povo de Bertioga.”
—
🔴 As eleições municipais estão previstas para 2028. Até lá, manifestações de pré-candidatura devem respeitar a legislação eleitoral, sem pedido explícito de votos ou campanha antecipada.