COMIDA DI BUTECO PODE ENTRAR NO CALENDÁRIO OFICIAL DE CAMPINAS
PROJETO DE LEI TAMBÉM RECONHECE O “BOQUINHA DE ANJO” COMO SÍMBOLO GASTRONÔMICO E CULTURAL DA CIDADE

Campinas pode ganhar mais um motivo oficial para celebrar sua rica cultura gastronômica. Um Projeto de Lei apresentado pelo vereador Luiz Rossini propõe incluir o tradicional Comida di Buteco no Calendário Oficial de Comemorações do município. Realizado anualmente no mês de abril, o evento já se consolidou como uma das festas mais aguardadas por amantes da boa comida, reunindo bares, petiscos criativos e muita confraternização.
A proposta vai além de reconhecer um concurso gastronômico. Segundo o parlamentar, a ideia é valorizar a chamada “cozinha de raiz”, fortalecer os pequenos empreendedores e incentivar o convívio social que tradicionalmente acontece nos bares e botecos — espaços que, para muitos brasileiros, funcionam como verdadeiras extensões de casa.
Criado no ano 2000, em Belo Horizonte, pelo gastrônomo Eduardo Maya, o Comida di Buteco cresceu e ganhou o país. Hoje está presente em diversas cidades brasileiras e se tornou um fenômeno cultural e econômico, movimentando bares, restaurantes, turismo e a economia local.
Em Campinas, o concurso já faz parte da identidade gastronômica da região há mais de uma década. Em 2025, quando completou 15 anos de realização regional, contou com a participação de 62 bares de Campinas e cidades vizinhas. Para 2026, a expectativa é ainda maior, com a realização da 16ª edição.
O formato do evento é simples e envolvente: os bares participantes criam um petisco exclusivo e o público sai em verdadeira “peregrinação gastronômica” para experimentar e votar nos favoritos. Além da votação popular, jurados especializados também avaliam critérios como sabor, atendimento, higiene e até a temperatura da bebida.
Para Filipe Tosta, diretor de operações da organização, o concurso tem um propósito claro: transformar vidas por meio da cozinha de raiz. “Os estabelecimentos que participam são os chamados bares espontâneos, geralmente comandados pelos próprios donos e muitas vezes com estrutura familiar. É essa autenticidade que dá alma ao evento”, explica.
Mas a valorização da gastronomia campineira não para por aí. O vereador também é autor da lei que reconhece o famoso “Boquinha de Anjo” como símbolo gastronômico e cultural da cidade. O nome curioso se refere ao corte especial do lanche em vários pedaços, pensado para facilitar o consumo e compartilhar à mesa.
O formato nasceu em Campinas e rapidamente se popularizou, tornando-se uma marca registrada da culinária local. Hoje, o estilo já ultrapassou fronteiras e pode ser encontrado em lanchonetes de diversas regiões do país — e até no exterior.
Ao defender a iniciativa, Rossini destaca que reconhecer essas tradições significa valorizar a identidade da cidade. “O Comida di Buteco movimenta a economia, gera empregos e fortalece os pequenos negócios. Ao mesmo tempo, celebra aquilo que o campineiro tem de mais genuíno: a convivência, a boa mesa e a cultura popular”, afirma.
Se aprovado, o projeto vai oficializar aquilo que muitos moradores já sabem há tempos: em Campinas, comida boa, conversa animada e tradição de boteco fazem parte do patrimônio cultural da cidade. 🍻🍽️🌆
Texto: Verônica Mingorance