PLACAS DE RUAS DÃO NOVA CARA AO CANTINHO DO CÉU
MORADORES CELEBRAM CONQUISTA, MAS REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA AINDA GERA DÚVIDAS E EXPECTATIVAS

Por Verônica Mingorance
O Cantinho do Céu, comunidade na região do Jardim Capivari, em Campinas, está de cara nova. As ruas começaram a receber placas com nomes de flores, o que trouxe um sentimento de orgulho e pertencimento para quem mora ali. Mais do que sinalização, as placas significam que o bairro agora tem CEP próprio — e isso facilita a vida de todos: dá para receber correspondências e encomendas sem depender de endereços emprestados, pedir aplicativos de transporte e até delivery sem constrangimento.
A iniciativa partiu de moradores que pressionaram o poder público e contaram com o apoio do vereador Luiz Carlos Rossini (Republicanos), presidente da Câmara. Segundo eles, a escolha do tema “flores” para batizar as ruas não foi por acaso: foi o resultado de uma enquete feita no grupo de WhatsApp do bairro.
“É gratificante. As placas dão identidade, trazem dignidade e mostram que o Cantinho do Céu existe. É como se a gente tivesse, finalmente, colocado nosso nome no mapa”, comentou emocionada Auricélia Dias, integrante da associação de moradores.

A LUTA PELA REGULARIZAÇÃO
Apesar da conquista, ainda há um ponto que divide opiniões: a regularização fundiária. O processo, que garante a posse legal dos terrenos, já está em andamento e foi publicado no Diário Oficial em 7 de agosto. Mas a forma como a notícia chegou à comunidade causou polêmica.
Um morador compartilhou no grupo do bairro a notificação da Prefeitura sobre o início do processo de Regularização Fundiária Urbana de Interesse Social (Reurb-S). A publicação gerou confusão: alguns entenderam que o bairro ainda está registrado como “núcleo habitacional” e não como bairro consolidado.
“Ver o nome entre parênteses, como ‘núcleo Cantinho do Céu’, deixou muita gente incomodada. Parece que ainda somos vistos como favela, quando na verdade já avançamos muito. Mas o importante é que o processo está andando”, disse Auricélia.
A atual presidente da comunidade, Vaneide de Nunes dos Santos, destacou que a chegada das placas foi simbólica:“É uma vitória. Antes, pedir um Uber era motivo de humilhação, porque o motorista falava que não vinha para cá. Hoje, com CEP e nome de rua, temos dignidade. Agora falta a regularização, e acreditamos que logo virá”.

PROMESSAS E EXPECTATIVAS
Moradores lembram que o vereador Rossini tem acompanhado de perto a luta pela regularização desde 2006, intercedendo junto à Cohab e à Prefeitura. Segundo ele, o enquadramento do Cantinho do Céu como área de interesse social permite que os custos da regularização não sejam repassados às famílias.
Mesmo assim, parte da população ainda desconfia de prazos e teme que o processo se arraste. “É direito da gente ter escritura, água e luz com tarifa justa. Mas, às vezes, parece que tudo demora demais. O que nos dá esperança é ver que o bairro está se transformando”, afirmou Fátima Cruz, uma das líderes comunitárias, que hoje enfrenta problemas de saúde, mas continua acompanhando a luta.


ENTRE FLORES E DOCUMENTOS
Com as novas placas, o Cantinho do Céu ganhou mais do que nomes de ruas: ganhou visibilidade. Agora, os olhos estão voltados para a regularização fundiária, vista como o próximo passo para que a comunidade deixe de vez o rótulo de “núcleo” e seja reconhecida como bairro consolidado de Campinas.
Enquanto isso, moradores seguem divididos entre a celebração das flores estampadas nos postes e a ansiedade de, finalmente, terem em mãos o documento que garante que suas casas são, de fato, delas.















