BITUCAS DE CIGARRO: VILÃS INVISÍVEIS QUE INTOXICAM PRAIAS E OCEANOS
VEREADORA RENATA BARREIRO QUER PONTOS DE COLETA EM BERTIOGA PARA COMBATER A POLUIÇÃO

Na luta contra um dos poluentes mais comuns — e menos lembrados — das nossas praias, a vereadora Renata Barreiro apresentou uma indicação que pode transformar o jeito como Bertioga lida com as bitucas de cigarro. Aproveitando o Dia de Combate ao Fumo (29 de agosto), ela quer que o município instale pontos de coleta exclusivos para o descarte correto dessas pontas de cigarro, que hoje entopem bueiros, poluem o mar e até acabam sendo ingeridas por animais marinhos.

Embora muita gente pense que o plástico é o principal vilão das praias, as estatísticas mostram outra realidade: as bitucas estão no topo do ranking do lixo recolhido nas orlas do mundo todo. E não é pouco: cada filtro carrega mais de 7 mil substâncias tóxicas, leva cerca de 10 anos para se decompor e, só no Brasil, bilhões delas vão parar em rios e oceanos todos os anos. Um estudo do projeto Lixo Fora da Água revelou que, a cada 8 km de praia, há mais de 200 mil bitucas espalhadas na areia.

Renata reforça que o impacto é duplo: “O tabagismo não é só um problema de saúde pública que mata mais de 8 milhões de pessoas por ano. Ele também destrói o meio ambiente, derruba 600 milhões de árvores, consome 22 bilhões de toneladas de água e lança 84 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera. As bitucas estão intoxicando o planeta”, afirma.

A proposta da vereadora se inspira em projetos que já deram certo, como o Ilhabela Sem Bitucas, que instalou 141 pontos de coleta na cidade e já retirou mais de 2,7 milhões de pontas de cigarro do meio ambiente. O material recolhido é levado para a usina da Poiato Recicla, onde passa por um tratamento desenvolvido pela Universidade de Brasília para remover as toxinas e transformar o resíduo em massa de celulose — matéria-prima para papel artesanal, que depois é revertida em renda para instituições sociais.

Renata apresentou fotos e exemplos do que pode ser feito com o material reciclado e destacou: “É um projeto barato, eficiente e que gera renda para entidades. Não podemos fechar os olhos para algo que está matando nossa fauna marinha e envenenando nossos rios e mares. Precisamos agir agora”.

Se aprovada, a medida colocará Bertioga na rota das cidades que tratam as bitucas como o que elas realmente são: um lixo perigoso que precisa de destino certo. Afinal, proteger o meio ambiente começa com pequenas grandes atitudes.