CAMPINAS TERÁ DUAS ESCOLAS CÍVICO-MILITARES A PARTIR DO SEGUNDO SEMESTRE DE 2025

DE UM LADO, NELSON HOSSRI COMEMORA A CONQUISTA; DO OUTRO, PEDRO TOURINHO ALERTA PARA “AMEAÇA AO PENSAMENTO LIVRE”

BOLSONARO CUMPRIMENTA ALUNOS DE ESCOLA CÍVICO-MILITAR E REFORÇA APOIO AO MODELO
Ex-presidente defende disciplina e respeito como pilares da educação, em meio a um debate que ganha força em cidades como Campinas.

Campinas vai entrar de vez no debate que divide opiniões em todo o Brasil: o modelo cívico-militar de ensino. A partir do segundo semestre de 2025, duas escolas da rede municipal — a EMEF Reverendo Eliseu Narciso (DIC III) e a EMEF Professor Messias Gonçalves Teixeira (Jardim Nova Aparecida) — vão adotar o novo formato, que une militares e civis na gestão e nas atividades escolares.

O principal nome por trás dessa mudança é o vereador Nelson Hossri (PSD). Ele é presidente e idealizador da Frente Parlamentar das Escolas Cívico-Militares em Campinas e afirma que essa conquista é fruto de muito trabalho e da escuta da população. “Muitos pais pedem esse modelo, principalmente nas regiões mais vulneráveis, onde há falta de segurança e disciplina. Ainda existem muitas mentiras espalhadas sobre as escolas cívico-militares. O nosso objetivo é mostrar, com transparência, os benefícios desse sistema para a comunidade”, disse Hossri.

NELSON HOSSRI E TENENTE COIMBRA UNIDOS PELA EXPANSÃO DAS ESCOLAS CÍVICO-MILITARES
Vereador de Campinas e deputado estadual posam juntos em defesa do modelo cívico-militar, destacando a importância da disciplina, segurança e valorização dos valores cívicos na educação pública. A parceria fortalece o avanço do projeto no estado de São Paulo.

Para o vereador, o modelo busca melhorar a qualidade da educação básica com gestão mais rígida, valores como respeito, pontualidade e responsabilidade, além de apoio à formação cidadã dos alunos. Ele garante que o debate será democrático e convida até os críticos do projeto a participarem das discussões da Frente Parlamentar.

Mas nem todo mundo está aplaudindo. O médico e ex-vereador Pedro Tourinho (PT), conhecido por sua atuação combativa na área da saúde e da educação, foi direto nas redes sociais: “É um assunto sério. Esse modelo já foi debatido antes e é um retrocesso. Educação é espaço de liberdade, de pensamento crítico. O que falta nas nossas escolas não é militarismo, é professor, é valorização, é estrutura.”

Tourinho não economizou nas críticas. Para ele, o modelo cívico-militar tenta “maquiar os verdadeiros problemas da educação pública” e representa uma ameaça à liberdade de expressão dentro das escolas. “Censura não combina com educação”, afirmou. Ele ainda fez um chamado à população: “Vamos ficar de olho e combater essa ideia”.

PEDRO TOURINHO E MINISTRO ALEXANDRE PADILHA DEFENDEM EDUCAÇÃO COM LIBERDADE E VALORIZAÇÃO DOS PROFESSORES
Na foto, o ex-vereador de Campinas e o ministro reforçam a oposição ao modelo cívico-militar e destacam a importância de investir em infraestrutura, pensamento crítico e condições dignas para educadores nas escolas públicas brasileiras.

A tensão entre os dois lados evidencia o quanto o tema é polêmico. De um lado, há quem enxergue disciplina e segurança. Do outro, quem veja autoritarismo disfarçado de ordem. A implantação das duas escolas promete esquentar o debate nos próximos meses em Campinas — dentro e fora da Câmara.

Enquanto isso, famílias, professores e alunos aguardam para ver na prática como será esse novo capítulo da educação na cidade. Para uns, esperança. Para outros, um alerta vermelho.

E você, o que pensa sobre isso?